Antidepressivos: Queda de Cabelos

  • Quedas de Cabelos causados por antidepressivos

Atendendo a pedidos de nossos leitores o Acertei Saúde conversou com as especialistas em psiquiatria Mônica Cereser e a médica dermatologista, Fernanda Carrilho de Menezes sobre a queda de cabelo causada como efeito colateral do uso de antidepressivos.

Perguntamos a psiquiatra Mônica Cereser se tomar antidepressivo por muito tempo pode causar queda de cabelo e a doutora nos explica que os vilões entre os medicamentos são os que atuam no sistema nervoso, como os antidepressivos, que enfraquecem os fios, ou aqueles que agem na multiplicação celular, utilizados nos tratamentos de quimioterapia, pois as células capilares são as que se multiplicam com mais velocidade e no uso de quimioterápicos há uma pausa nessa multiplicação celular. “É válido ressaltar que as alterações emocionais, estresse intenso e depressão também podem levar a importantes alterações capilares, como a miniaturização dos fios, que resulta no afinamento por não completarem seu ciclo normal de vida”, alerta Mônica.

A dermatologista Fernanda Carrilho de Menezes lembra que a saúde dos cabelos também se faz com ações diárias e preventivas “e cada tipo exige um cuidado especial com produtos adequados às suas necessidades: controle de oleosidade, hidratação, anticaspa etc. É importante evitar altas temperaturas na água e uso excessivo de secadores e chapinhas. Na hora de pentear, o ideal é optar por pentes de dentes grossos e separados, que agridem menos os fios”, afirma Fernanda.

Fernanda também observa que uma boa alimentação rica em nutrientes é fundamental para a saúde dos cabelos. “As vitaminas A e B, o ferro, as proteínas animais e os aminoácidos contribuem para a saúde geral do organismo e também para o equilíbrio dos fios. A falta de vitaminas, se for intensa, chega a afetar a saúde dos cabelos; já a desnutrição e a anemia graves e as dietas malconduzidas podem aumentar a queda, levando à diminuição de densidade”, explica a dermatologista.

A queda de cabelo causada pelo antidepressivo

Fernanda alerta que nem sempre a medicamento antidepressivo é o causador da queda de cabelo, é necessário um diagnóstico cuidadoso associados a avaliação física e exames complementares por parte do profissional de saúde para determinar a causa da queda e relacionar ou não com o antidepressivo. “Descontinuar o uso do medicamento porque se suspeita de que ele esteja causando queda capilar SÓ DEVERÁ SER FEITO SOB ORIENTAÇÃO MÉDICA” destaca a dermatologista Fernanda.

A saúde do paciente vem em primeiro lugar e normalmente o dermatologista  quando suspeita de que a medicação está motivando a queda, deve conversar com o paciente e com seu médico (psiquiatra ou neurologista), para que a decisão de substituição ou mudança de dose seja feita. Reconhecer possíveis causas medicamentosas de queda capilar é de suma importância para que o profissional possa elaborar um diagnóstico preciso e orientar melhor seu paciente. Se pudermos aliar uma boa saúde a um mínimo de efeitos colaterais dos medicamentos utilizados a saúde do paciente sempre sairá ganhando.

As quedas capilares causadas por estes medicamentos são ocasionais. A maioria dos antidepressivos e estabilizadores de humor pode levar a esta situação. Alguns medicamentos antipsicóticos e redutores da ansiedade também estão associados ao problema. No entanto, a descontinuação do uso desses medicamentos ou a redução de suas doses normalmente levam ao retorno do crescimento capilar.

A alopecia, queda excessiva dos cabelos, pode ocorrer em qualquer momento da vida e por diversos motivos, tanto nos homens quanto nas mulheres. Diariamente, o ser humano perde entre 50 e 100 fios. Os cabelos também envelhecem, ficam brancos, mais ralos e menos sedosos. Com o passar dos anos, a perda dos fios se torna quase natural, pois eles ficam mais fracos e se danificam com mais facilidade.

Diversos são os fatores que podem iniciar, promover e influenciar o curso da alopecia. Dentre eles destacam-se o stress emocional, crônico e ambiental, bem como traumas físicos ou qualquer situação que estimule o sistema imunológico, como por exemplo, infecções, radiação, febre alta, e exposição aguda aos metais tóxicos. Outros fatores desencadeantes são a puberdade e a menopausa, além de trauma mecânico causado pela utilização de apliques, escovação excessiva ou escovação no sentido inverso ao nascimento dos fios. A seborréia é uma importante e freqüente causa de queda de cabelo, devido ao excesso de lubrificação do cabelo, sendo que a alimentação é um importante fator desencadeante da seborréia, como a ingestão de alimentos ricos em gorduras saturadas e problemas digestivos. Não podemos nos esquecer da alopecia androgenética, que é a calvície de padrão masculina, acometendo 40% a 50% dos homens, causada pelo excesso do metabólito ativo dehidrotestosterona (DHT), que promove a involução no crescimento do folículo capilar.

Dentro das causas clínicas envolvidas com a alopecia incluímos a insuficiência renal crônica, insuficiência hepática, drogas citostáticas, radioterapia, alterações da tireóide e deficiência de nutrientes, como por exemplo, ferro, zinco ou vitaminas do complexo B e aminoácidos como a cisteína e a taurina.

Medicamentos que causam queda de cabelo

Muitas drogas rotineiramente prescritas podem causar perda capilar temporária, exacerbar a queda de cabelo, acionar o seu início ou provocar uma perda  permanente. Os vilões entre os medicamentos são os que atuam no sistema nervoso, como os antidepressivos, que enfraquecem os fios, ou aqueles que agem na multiplicação celular, utilizados nos tratamentos de quimioterapia, pois as células capilares são as que se multiplicam com mais velocidade e no uso de quimioterápicos há uma pausa nessa multiplicação celular.

Alguns exemplos de medicamentos que podem levar a queda são o lítio, ácido valpróico e/ou divalproex, valproato, carbamazepina, antidepressivos tricíclicos, maprotileno, trazodona. Outras medicações como haloperidol, olanzepina, risperidona, clonazepan e buspirona também foram associadas a poucos casos do problema.

Medicamentos derivados  da vitamina A  para tratamento da acne, como a isotretinoína estão na lista de medicamentos que podem levar a queda de cabelo. Assim como  anticoagulantes, drogas que baixam o colesterol,  como  Atronid-S (clofibrato),  Lopid (genfibrozila), anfetaminas, antifúngicos, drogas betabloqueadoras utilizadas no tratamento do glaucoma, medicamentos para tratamento de gota, assim como  as drogas que contêm hormônios e que são prescritas para males e situações hormonais, tais como  anticoncepcionais, terapia  de substituição hormonal (TSH) para as mulheres (estrogênio ou progesterona),  hormônios  androgênicos masculinos e todas as formas de testosterona, esteróides  anabolizantes, prednisona e outros esteróides.

Também drogas antiinflamatórias, como aquelas que são prescritas para dores localizadas, inchaços e ferimentos, drogas para a artrite, drogas antiinflamatórias que não possuem esteróides,  levadopa usada na doença de parkinson e até drogas para tratar de indigestão. Como se vê a lista é extensa e  esses são apenas exemplos de alguns dos medicamentos causadores,  daí a importância  do médico dermatologista para elucidação da causa da queda em cada situação. São  inúmeros os fatores, além do uso de medicamentos, que podem estar associados a queda de cabelo, tanto nos homens quanto nas mulheres e,  a eficácia dos tratamentos está inteiramente relacionada a correta elucidação da causa. 

 

 

Alimentação adequada

Uma alimentação saudável, rica em vitaminas, minerais e nutrientes antioxidantes pode atuar de maneira efetiva na melhora da queda de cabelo. Existem muitos estudos que relatam sobre o benefício das substâncias antioxidantes e seus metabólitos na pele, mas poucos dados científicos  estão disponíveis na alopecia. Os nutrientes antioxidantes em pacientes com alopecia pode ser utilizado com o objetivo de diminuir a inflamação dos tecidos da pele e conferir estabilidade nas membranas celulares prevenindo assim a recorrência da queda de cabelo.

 

Cenoura, abóbora e todos os alimentos alaranjados possuem betacaroteno que ajudam muito na vitalidade e crescimento do cabelo, pois colabora na manutenção dos tecidos e cabelos. Por conterem antioxidantes, contribuem para que não haja estresse oxidativo e morte do bulbo capilar, o que além de provocar queda de cabelo, pode deixar os cabelos mais grisalhos. Esses alimentos podem ser consumidos à vontade todos os dias na forma de salada, sopas, refogados, no vapor, etc… Para maior aproveitamento do betacaroteno, procure consumí-los com uma fonte de gordura como azeite. O aproveitamento é melhor ainda se o alimento estiver cru.

 

As proteínas de boa qualidade (carne, frango, peixe, ovos…) também devem estar em quantidade suficiente na alimentação, pois o aminoácido apresenta a função estrutural, de manutenção e reparo dos tecidos. Nem todos os aminoácidos estão presentes na fibra capilar, porém para que os cabelos fiquem mais bonitos, fortes e saudáveis os aminoácidos são fundamentais.Sempre é preciso checar se o paciente tem boa digestão das proteínas da dieta para que haja incorporação dos aminoácidos nos fios de cabelo. A proteína também é rica em taurina um tipo de aminoácido que pode melhorar a hidratação do cabelo, estimula o crescimento, protege o folículo capilar e combate o estresse oxidativo prevenindo o envelhecimento. As fontes de proteínas devem ser consumidas duas vezes ao dia, numa porção de 100g. Os cereais integrais, tais como a aveia, arroz integral, etc…são fontes de zinco e complexo B que ajudam na multiplicação das células, favorecendo no crescimento e fortalecimento dos cabelos.

 

O zinco também é um fator importante para não haver engrisalhamento e queda de cabelo acelerado. Além disso, o zinco é um mineral essencial para que haja controle sobre mudanças hormonais que podem ocorrer e favorecer a queda de cabelo. Um problema onde o zinco pode ajudar é na alopecia androgenética. O ideal é trocar alimentos na forma  refinada por alimentos na forma integral. Então troque o pão branco pelo integral, o mesmo caso do arroz, introduza a aveia na sua alimentação em cima de uma fruta, por exemplo, e assim os benefícios vão aparecendo.

 

O feijão é um alimento rico em ferro. O ferro é essencial para que haja normalização do ciclo de crescimento dos cabelos. O ideal é consumir o feijão associado com  folhas verdes escuras, alguma fruta rica em vitamina C ou molho de salada mais cítrico, rico em vitamina C, para a otimização da captação desse ferro. O gengibre, curcuma e pimenta são condimentos que têm atividade antiinflamatória e está provado que o controle sobre o processo inflamatório é importante para se evitar a queda de cabelo.

 

A soja, por ser uma fonte de proteína, vitaminas do complexo B, zinco e outros minerais também pode ajudar a prevenir a queda dos cabelos. Porém, uma alimentação variada é fundamental para que a saúde do couro cabeludo e dos próprios cabelos seja mantida. De acordo com as recomendações, o consumo diário de 50g (3 colheres de sopa) de soja já traria diversos benefícios à saúde. Mas a introdução pode ser feita duas vezes na semana como substituição à proteína animal e ir sendo aumentada aos poucos.

 

As oleaginosas (castanhas, amêndoas, nozes, etc…) contêm, vitamina E e zinco que participam no processo de formação dos fios e sua ausência nas células da raiz pode acarretar em problemas de formação da estrutura capilar. As oleaginosas são ótimas opções de lanches intermediários. Pode ser feito um mix misturando as frutas secas com duas colheres de sopa de oleaginosas e um tipo de fruta seca (damasco, ameixa etc…) a escolher.

 

A levedura de cerveja, importante  fonte de vitaminas do complexo B, em especial da biotina que melhora o crescimento do cabelo e estimula as células da matriz do cabelo. É normal também a biotina controlar casos de dermatite que alguns pacientes têm juntamente com a queda de cabelo. Alguns pacientes não se dão bem com a levedura, tendo inclusive distensão abdominal e gases, mas para quem pode consumir sem efeitos uma colher de café ao dia pode ser adicionado em vitaminas ou sucos.

 

É bom lembrar que a ingestão excessiva de álcool e café também pode comprometer a absorção de vitaminas e minerais pelo organismo, resultando em queda capilar. Embora seja raro, qualquer fator que reduza os níveis de nutrientes pode resultar em queda capilar. Dessa forma, dietas muito restritivas, desnutrição proteica, deficiência de vitaminas e minerais ou ainda o excesso de vitamina A, podem ocasionar alopecia. Portanto, é importante seguir as orientações de alimentação e sempre procurar o médico dermatologista  e o nutricionista antes de iniciar qualquer dieta e/ou tomar suplementos.

 

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